Seca faz criadores soltarem animais na rodovia AL-220
A situação da seca deve se agravar ainda mais no Sertão de Alagoas, se não chover nos próximos 15 dias, já que os rebanhos de animais não têm mais o que se alimentar. Os pequenos criadores estão simplesmente soltando os rebanhos às margens das rodovias para que eles se alimentem da pouca vegetação que ainda resiste a seca. Os primeiros animais a serem soltos são os muares. Um perigo para os motoristas.
Ontem mesmo pudemos constar a presença de dezenas de Jegues e cavalos às margens da AL-220 entre os municípios de Olho d’Água das Flores e Jaramataia. Os animais são colocados nos acostamentos das rodovias para se alimentar de arbustos e o pouco capim seco que sobrou.
Já rebanho bovino e caprino está sendo levado para serem vendidos nas feiras livres por preço bem abaixo do mercado. A arroba do boi no mercado está cotada a R$ 110, mas no Sertão caiu para R$ 60 e até R$ 40. O desespero é grande para os pequenos criadores que estão vendo seus animais morrem no pasto seco da caatinga nordestina.
A tonelada de palma, único alimento que ainda brota no semiárido durante a seca está em R$ 5 mil e somente os grande produtores estão ainda tendo condições de comprar.
Muitos estão transferindo seus rebanhos para Zona da Mata e Litoral de Alagoas e até para fora do estado, enquanto ainda os animais resistem à viagem. Operação que nos próximos 10 dias não poderá ser realizado devido à situação de debilidade dos animais.
A atividade comercial nos municípios atingidos pela seca caiu e a inadimplência cresceu. Os pequenos produtores agrícolas estão vendendo tudo que tem em casa desde televisão, fogão botijão e até os moveis para comprar alimentos. Já que ajuda financeira do governo federal está demorando a chegar.
Os mais jovens principalmente os homens estão indo para os estados de São Paulo, Goiás, Mato Grosso do Sul e Norte para trabalharem no corte da cana de açúcar. É o inicio da chamada retirada, já descrita por Graciliano Ramos em seu livro Vidas Seco.
Essa é uma história que se repete a séculos no Nordeste Brasileiro e que deveria ser evitado se obras importantes como o Canal do Sertão andasse mais rápido.
Enquanto o governo só pensa em roubar, os sertanejos estão sofrendo com a seca que os castiga à muitos anos.
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