MPF denuncia 11 pessoas em Olivença, Pão de Açúcar e Olho d'Água das Flores (AL)


Ministério Público Federal (MPF) em Arapiraca (AL), ofereceu denúncia contra um grupo de onze pessoas acusado de aliciar trabalhadores nas cidades de Olivença, Pão de Açúcar e Olho d'Água das Flores, todas localizadas no Sertão do Estado de Alagoas. 
Os lavradores eram levados para o município de Itápolis (SP), onde eram explorados durante a colheita da laranja, nos meses de junho e julho.
A denúncia, de autoria do procurador da República Samir Cabus Nachef Júnior, teve como origem as informações prestadas pelo presidente do Sindicato de Empregados Rurais de Itápolis, Avelino Antônio da Cunha, à Polícia Civil de São Paulo. Com o depoimento dos acusados, ficou comprovada a atuação do grupo no período de 2006 a 2009.
Segundo o MPF, os trabalhadores ficavam alojados em lugares sem as condições mínimas de moradia. “Eles obtinham muitas dívidas com os empreiteiros, uma vez que recebiam diárias de R$ 7, valor muito abaixo do pago aos empregados de Itápolis. Infelizmente, o aliciamento ainda é uma prática muito comum no Estado”, revela Samir Nachef. Caso trabalhassem todos os dias, sem folga, ganhariam apenas R$ 427 pelo período inteiro de safra.
O lucro dos aliciadores era sobre o transporte e a exploração da mão-de-obra. A ida para São Paulo e o retorno para Alagoas custavam, em média, aos trabalhadores o valor de R$ 390. Em 2009, foram transportadas cerca de cem pessoas. Além disso, os empregados eram responsáveis pelo pagamento da moradia. Avelino Antônio da Cunha contou que todas as despesas com água, energia elétrica e alimentação eram custeadas pelos trabalhadores.
Na ação, a suposta quadrilha foi dividida em dois grupos, dos que atuavam em Alagoas e em São Paulo. São acusados por crime de aliciamento para exploração de mão de obra Cícero Cardoso da Silva, Edgar José Filho, Jorge Barbosa Silva, Ivan Cardoso da Silva, Rones da Silva Pereira; Ednaldo Aparecido Machado dos Santos, Edvaldo José Machado dos Santos, Floriano Marchiori, Juarez Rodrigues, Mário da Silva e Moisés Benedito Dias.
Sobre o grupo pesam os crimes de aliciamento de trabalhadores, cuja pena é de detenção de um a três anos e multa; e formação de quadrilha, este punido com reclusão de um a três anos.

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